segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O caminho da conciliação: uma via pouco utilizada

Durante quase uma década de exercício da advocacia, deparei-me, várias vezes, com a inevitável pergunta do cliente: quanto tempo demora a resolução do processo? Nos primeiros anos de profissão, por absoluta falta de experiência, devo confessar, costumava dar uma “estimativa”. Em média, cinco anos, dizia eu, diante de um cliente visivelmente decepcionado.

Os anos se passaram e aprendi duas lições. A primeira é que os processos não têm “média” de tramitação, a não ser como fonte para estatísticas. Alguns - a minoria, diga-se de passagem - resolvem-se em pouco tempo. Outros, arrastam-se por longos e intermináveis anos, geram desgastes emocionais e gastos financeiros. Todos, entretanto, têm a mesma característica: portam problemas individuais que não “cabem” em nenhuma estatística.

A segunda lição é a da necessidade de aprender a ouvir corretamente o que o cliente diz. Saber interpretar, compreender que quando ele pergunta “quanto tempo demora a resolução do processo?” está, na verdade, querendo dizer “quando estarei livre desse problema?”.

Em grande parte dos casos, a realização de um acordo justo é o caminho mais rápido e mais satisfatório para “resolver o problema”. Há alguns anos, este princípio foi implementado pelos meus sócios e por mim nos mais variados conflitos que administramos. Antes de recorrer às vias judiciais, a estratégia é o bom entramos em contato com a parte contrária, para uma solução consensual.

Os resultados têm sido extremamente satisfatórios! Já resolvemos, de forma rápida e com baixo custo (financeiro e emocional), os mais variados conflitos, desde disputa entre condomínio e condômino, divórcios, inventários, ações envolvendo responsabilidade médica em cirurgias estéticas, ações trabalhistas, ações de reparação por danos morais, disputas societárias... Sempre utilizando a mesma premissa: um acordo justo é, em muitos casos, a melhor saída para as pessoas diretamente envolvidas, como, também, para familiares e terceiros que, indiretamente, são afetados.

Ah! Já ia me esquecendo do mais importante, o que aprendi, vendo em meus clientes a satisfação por ter um conflito resolvido: para encontrar a resposta correta é preciso saber ouvir, corretamente, a pergunta
que nos é formulada!

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